Eusébio Sanjane

Eusébio Sanjane é uma das principais promessas da literatura moçambicana contemporânea. Formado em Ciência Política pela Universidade Eduardo Mondlane e mestre em Gestão Estratégica de Recursos Humanos pela Universidade Politécnica, vem desenvolvendo um percurso multidisciplinar, intercalando a escrita, a museologia e a curadoria de arte. É natural do histórico bairro de Chamanculo, em Maputo.
Para além de ter a sua obra presente em jornais, revistas literárias e antologias de Moçambique, Brasil, Chile, Itália e Espanha, é autor do romance Arquivo Morto: As cartas da guerra que não acabou (Lisboa: Astrolábios Editora, 2025); e dos livros de poesia Anatomia do Vazio (Maputo: Estacão 8, 2025); Frenesim: Poesia em Pétala de Lume (Maputo: Ndjira, 2014); e Rosas e Lágrimas (Maputo: Ndjira, 2006). É membro da Associação Moçambicana de Escritores (AEMO), da União Nacional de Escritores, e correspondente da Casa do Poeta Brasileiro. Em 2025 foi distinguido no Prémio Imprensa Nacional/ Casa da Moeda/ Eugénio Lisboa, com o romance inédito As 12 Caixas do Império.
O PESO DO MARFIM
Moçambique, 1880. António Soares desembarca em Quelimane com um sonho simples: enriquecer no comércio do marfim e voltar para Portugal coberto de glória. Mas Moçambique tem outros planos. Amélia, uma mulher moçambicana de beleza arrebatadora, rouba-lhe o coração. Dá-lhe um filho. Ensina-lhe que há fortunas que não se medem em libras de ouro. Então a tragédia bate à porta: Amélia morre de malária. Mário, o filho de sete anos, desaparece numa noite sem lua. António procura-o durante vinte anos. Vinte anos a remexer o continente inteiro, a subornar informadores, a seguir pistas falsas. Até que a verdade — quando finalmente a encontra — é pior que todas as mentiras.
O seu filho está vivo. Tornou-se líder implacável da resistência anti-portuguesa. Foi criado para odiar tudo o que o pai representa. E quem o transformou neste guerreiro foi Sampaio — o mentor em quem António mais confiava, o homem que o ensinou a sobreviver em África, que agora escolheu África contra Portugal. Pai e filho frente a frente. Dois lados da mesma guerra. “Enterrei o menino que eu era na noite em que me levaram”, diz Mário. “Não o posso ressuscitar.” Entre o amor e a lealdade, entre a paternidade e a traição, António enfrenta a pergunta devastadora: pode-se perdoar o imperdoável quando o sangue chama pelo sangue? Um romance épico sobre como a História despedaça famílias e obriga homens bons a escolhas impossíveis.

Status/Publicação: Inédito.
AS 12 CAIXAS DO IMPÉRIO
Lisboa, Torre do Tombo. Doze caixas dormem há cinquenta anos num arquivo secreto. Dentro delas, a prova dos crimes que Portugal não quer lembrar: documentos de uma comissão militar que investigou torturas da policia colonial (PIDE) em Moçambique e foi silenciada antes de revelar a verdade. O Estado sepultou os mortos. E sepultou as provas. Londres. Kalid Mussá, doutorando em História, lê uma notícia e o mundo desmorona: a avó que morreu "de doença" foi vendida à PIDE por alguém da própria família. Um informador com as iniciais A.M. traiu-a durante meses, palavra por palavra, segredo por segredo, até a verem partir numa carrinha sem regresso. Agora Kalid precisa de saber quem.
A resposta está em Moçambique, nas memórias que a família embalsamou em silêncio. E é pior do que imaginou: A.M. é Alberto Mussá — o tio-avô que o criou como filho, que pagou os seus estudos, que construiu um império empresarial sobre o túmulo da própria irmã. Cinquenta anos de mentiras. Cinquenta anos de culpa disfarçada de generosidade. Mas alguém não quer que a verdade venha à luz. Ex-agentes da PIDE começam a morrer. As caixas são sabotadas. E Kalid percebe que isto nunca foi sobre o passado — é sobre um presente onde os fantasmas do império ainda matam para manter os segredos enterrados. Um thriller arrepiante sobre os crimes que as nações escondem e as famílias que os protegem. Vencedor do Prémio Imprensa Nacional/ Casa da Moeda/ Eugénio Lisboa em 2025.

Status/Publicação: Inédito.