Júlia Portes

Júlia Portes é escritora, atriz e mestra em Artes da Cena pela UFRJ, âmbito no qual escreveu seu segundo romance, DINHEIRINHO, a sair pela Fósforo em 2026. Também está na nona edição de seu projeto de Imersões de Escrita, no qual auxilia artistas na criação de projetos autorais. Seu primeiro romance, O CÉU NO MEIO DA CARA, foi finalista (5+) do Prêmio Jabuti e teve lançamentos no Rio de Janeiro, São Paulo e Berlim, em 2023. O romance também foi adaptado para o teatro e segue em circulação, com Júlia no elenco.
Foi selecionada pelo programa Radar Sofia, na Bulgária, para desenvolver a peça “Como Não Ser Você Mesma” e para abrir a exposição Assembleia da Vergonha, com curadoria de Ivo Dimchev, apresentando a performance “Fim de Carreira’ (no Brasil, chama-se “Noite de Estreia”). A peça já foi apresentada na Bulgária, na Embaixada Brasileira em Berlim e esteve em cartaz no Cabaret do Gláucio, no Rio de Janeiro. Em março de 2026, Júlia estreia como atriz na série “Emergência Radioativa”, dirigida por Fernando Coimbra, na Netflix.
DINHEIRINHO
É a história da amizade entre Ondina e Célia, duas mulheres de 73 anos, vizinhas que iniciaram essa relação na vida adulta, quando se mudaram para o mesmo prédio. Elas vivem um cotidiano agitado, numa idade em que a maioria das pessoas tem medo do tédio, da morte, de que mais nada aconteça. As duas estão em momentos decisivos: Ondina é atriz e sua vida financeira é um caos (além de tudo, sua cachorra, Vovó, morreu); Célia foi gerente de uma loja de eletrodomésticos e conseguiu ter uma aposentadoria confortável — no entanto, está com manchas de melancolia pelo corpo e uma perda de audição progressiva.
O livro trata da solidão, da dificuldade de criar vínculos depois da fase de formação, da velhice das mulheres, da escolha entre ter ou não filhos, do teatro e da sustentação de uma vida no momento presente. Esse último aspecto também se revela na forma: o livro não tem flashbacks — uma maneira de afirmar que todas somos jovens diante da novidade.

Status/Publicação: A ser publicado pela Fósforo em 2026.
O CÉU NO MEIO DA CARA
Ambientado durante um velório, O CÉU NO MEIO DA CARA se constrói em torno do corpo de Marília, uma mulher que morreu antes do tempo. Duas mulheres orbitam esse corpo: Laura, sua filha, e, Carmelita, sua mãe. Laura, jovem necromaquiadora, decide preparar o corpo da própria mãe diante da família. Para ela, esse gesto é um ritual mais justo do que ficar parada cumprimentando as pessoas enquanto a mãe está morta. Carmelita, aos setenta e dois anos, está catatônica. Observar a neta maquiando sua filha a devolve uma série de lembranças, levando-a a encarar essa nova fase da vida, a velhice. O emaranhado de pensamentos das duas mulheres é um salto para criação de um futuro, um recuo para que possam avançar.
Unidas pela maternidade e separadas pelas gerações, elas são lançadas a um confronto íntimo com a memória, o luto e a ancestralidade que atravessa as mulheres de uma mesma família. O CÉU NO MEIO DA CARA nos surpreende com uma história envolvente, capaz de fazer rir e chorar a partir de sua narrativa dramática e dinâmica, com reflexões ácidas e corajosas acerca da maternidade. Finalista do Prêmio Jabuti de melhor romance de estreia em 2023.

Status/Publicação: Publicado pela Nau em 2022. [92 páginas]