Na linhagem da escrita de si contemporânea, TEMPO FANTASMA é um romance de não ficção sobre memória, trauma e a própria experiência do tempo: a história de um homem que, ao se tornar pai, precisa reencontrar a criança que foi para compreender aquilo que nele sobrevive.
A narrativa começa em uma cena doméstica, delicada e decisiva. Um menino conta ao pai sua primeira lembrança: o dia em que foi deixado sozinho na escola. O episódio, aparentemente simples, abre uma fenda temporal, uma máquina do tempo. Diante da dor do filho, que na verdade é sua, o narrador percebe que nenhuma infância desaparece por completo. Algumas permanecem alojadas no corpo adulto, silenciadas, à espera de uma forma. A partir dessa revelação, o livro acompanha o movimento de um pai que tenta proteger o filho enquanto é conduzido de volta à própria infância. Entre o presente da paternidade, a separação conjugal, a pandemia e as lembranças de Luminárias, pequena cidade do Sul de Minas Gerais onde nasceu e cresceu, o narrador retorna ao ano de 1989, quando algo se rompeu de maneira irreversível: dois episódios de abuso sexual.