A LIBERTAÇÃO DO CORPO DA MULHER NO EPICENTRO DO DEBATE

Anna Luiza Cardoso

Numa semana de ânimos especialmente inflamados no Brasil e no mundo, escolhemos falar de dois livros causando furor na Europa e que jogam luz sobre um tema sempre necessário: a emancipação do corpo feminino. A dominação perpetrada pelo patriarcado ao longo da história transformou o corpo da mulher em instrumento político de submissão e ao mesmo tempo de emancipação nas esferas pública e privada, criando-se uma relação desequilibrada e desrespeitosa com o que deveria ser tratado como simplesmente natural.

Em ambos os livros, toma-se essa tensão como ponto de partida para compreender o papel da mulher na sociedade, entendendo seu corpo  como instrumento pessoal de expressão cujo conhecimento torna-se essencial à libertação das amarras e limitações que lhe foram impostas. Ambos trazem reflexões e ferramentas atuais e necessárias para nos reconectarmos com nossos corpos como a fonte de prazer e de potência que são, compreendendo e transformando sua simbologia de modo a retomarmos a ingerência sobre as escolhas feitas acerca deles.

O primeiro é SEINS – En quête d’un libération (SEIOS – Uma busca por libertação, em tradução livre), um ensaio assinado pela filósofa e cientista política feminista Camille Froidevaux-Metterie, que reflete sobre a tensa relação da sociedade com os seios através dos tempos e investiga nas experiências pessoais de mulheres contemporâneas os prenúncios de transformações latentes.  Publicado na França pela Anamosa em março deste ano, SEINS está despertando imenso interesse da imprensa para além das fronteiras, ganhando destaque também na Alemanha e no Reino Unido.

O segundo é COMING SOON (QUASE LÁ, em tradução livre), da sexóloga e psicoterapeuta alemã Dania Schiftan, verdadeiro tratado sobre o prazer feminino partindo do pressuposto de que para se compreender o orgasmo da mulher é preciso compreender_ e libertar_ o seu corpo. Publicado na Alemanha pela Piper em 2018, já está em sua quinta edição e sairá em língua inglesa pela Greystone em fevereiro de 2021. Também foi vendido para a Ucila, na Eslovênia.

São duas obras muito distintas mas igualmente importantes e muito agregadoras ao debate sobre a libertação do corpo da mulher como epicentro de sua emancipação social.