A TRADUTORA E A ONÇA

A professora Emilie Audigier, titular do departamento de Literaturas Francófonas da Universidade Federal de São Luis do Maranhão, encarou o desafio de criar a versão francesa de MEU DESTINO É SER ONÇA (Passages(s), 2021), de Alberto Mussa, MON DESTIN EST D’ÊTRE JAGUAR, um livro muitas vezes considerado inclassificável, misto de ensaio e narrativa ficcional, sobre a cosmogonia dos indígenas Tamoio. Nesta profunda e extraordinária CONVERSA COM (A) GENTE, Emilie fala sobre os desafios de traduzir obra tão complexa_ “Como é um livro labiríntico, com várias maneiras de se entrar na leitura, a maior dificuldade talvez tenha sido procurar a unidade nessa pluralidade, criando um repertório no meu idioma a partir dos conceitos e dos personagens citados no livro”_; sobre seu fascínio pela obra de Alberto Mussa_ “Me parece que Mussa é um escritor que possui um espírito de antropólogo, trazendo, como todo grande escritor, uma visão nova do mundo e do ser humano. Sua teoria no livro pode ser considerada como uma teoria do decolonial no Brasil, uma das mais originais da América do Sul”_; sobre a urgência de se ouvir os povos primordiais_”Apesar do grande conhecimento do mundo, os povos primordiais são torturados e exterminados. É necessário denunciar as injustiças para manter vivas suas culturas materiais e imateriais. É inegável que o patrimônio intelectual, filosófico, literário e musical, apresentado na cosmogonia, ensina aos franceses (e a qualquer cidadão ocidental) a sair de seu etnocentrismo a fim de conhecer uma nova forma de pensar e sentir o mundo”_; sobre a difusão da literatura brasileira no exterior, em especial na França; sobre sua paixão pelo Brasil, onde vive já há anos; e sobre as obras da literatura brasileira que a formaram como intelectual. Em suma, uma entrevista imperdível.

VB&M: Como se deu seu encontro primeiro com o Brasil e, depois, com a literatura brasileira?

EA: Meu primeiro contato com o Brasil se deu através da música popular brasileira, discos e shows de Baden Powell, Vinicius de Moraes, Gilberto Gil, Joyce, Maria Bethânia e João Bosco. Aos 19 anos, pisei pela primeira vez no Brasil, visitando um irmão que fazia intercâmbio em São Paulo. Na época, eu estudava Letras na França, com enfoque nas profissões do livro (edição, livraria, biblioteca) e, mais tarde, na tradução literária. Por curiosidade e atração pelas culturas de língua portuguesa, aprendi o português na universidade. Fui morar em Lisboa com bolsa de estudos e me encantei com falar português todos os dias. Li a poesia portuguesa e brasileira, contos e romances de Fernando Pessoa, António Lobo Antunes, Sophia de Mello Breyner, Hilda Hilst, Augusto dos Anjos, Lima Barreto, Machado de Assis, João do Rio, Vinicius de Moraes, entre muitos outros. Aos 20 anos, fiz leituras que foram marcos para minhas pesquisas e orientaram meus desejos profissionais (em tradução ou em língua original). Era um mundo novo no qual queria mergulhar. Além dos meus estudos em Letras, trabalhei em editoras, como aprendiz. Participava das feiras literárias em Paris e em regiões da França para ganhar experiência profissional no mercado editorial. Em Lisboa, conheci uma editora independente que trabalhava com literatura portuguesa e brasileira em Paris, a Chandeigne, que me contratou como estagiária por um ano. Seu catálogo é voltado para as literaturas e as culturas de língua portuguesa. Aprendi todas as funções de uma pequena editora independente. Foi naquela época que li muitos romances, contos e crônicas, teatro brasileiro e português. Tive acesso a muitas traduções em língua francesa em bibliotecas, sebos e na própria Librairie Portugaise et Brésilienne, em Paris, livraria que pertence ao dono da editora onde passava meus dias. Foi naquela época que começou a paixão pelo Guimarães Rosa. Li (devorei) suas traduções francesas, inclusive a de “Grande Sertão: Veredas” (“Diadorim”, em francês), em algumas semanas. Decidi desenvolver uma pesquisa de mestrado sobre as traduções de seus contos na Université Aix-Marseille, onde me formei. Naquela época, não sabia que iria construir minha vida no Brasil, mais de 20 anos depois. Depois de trabalhar na Embaixada da França coordenando o Escritório do Livro para divulgar os escritores franceses, traduzi literatura brasileira, desenvolvi pesquisas sobre Machado e Rosa e me tornei professora universitária de literaturas francófonas e estudos da tradução em São Luís do Maranhão, onde moro há cinco anos.

VB&M: A publicação de MON DESTIN EST D’ÊTRE JAGUAR é uma vitória sua. Você batalhou para traduzir e conseguiu ver publicado na França MEU DESTINO É SER ONÇA, de Alberto Mussa. O que tanto a encantou em um livro tão desafiador?

EA: A curiosidade foi literária e antropológica também. A pré-história é fascinante, pensar o estado de origem do mundo, físico e espiritual, dos primeiros moradores da América do Sul. As cosmogonias despertam o imaginário para os leitores contemporâneos. Sempre fui atraída pelas histórias de mitologia. As que mais conhecia pertencem à literatura grega e latina, à do norte europeu, ou russa. Havia lido e estudado a “Epopeia de Gilgamesh”, do mundo sumério, ou ainda o “Gênesis” da Bíblia, que me marcaram. Não conhecia a mitologia dos ameríndios tupinambá. Quando encontrei Alberto Mussa no Rio de Janeiro, em 2006, apresentado pelo Stéphane Chao, acompanhei o trabalho que ele estava realizando em MEU DESTINO É SER ONÇA, as pesquisas com os manuscritos históricos e toda a reconstituição das histórias mitológicas. Na França, na época em que eu trabalhava com a editora Chandeigne, tive contato com os livros de André Thevet, principalmente com suas belíssimas edições ilustradas “Le Brésil d’André Thevet Les Singularités de la France Antarctique” (1557), “La Cosmographie” e “La mission d’Ibiapaba: Le père António Vieira & le droit des Indiens”. Conhecia também “Nus, sauvages et anthropophages”, de Hans Staden, “Fricassée de maris”, de Betty Mindlin, o romance “Mon cher cannibale”, de Antônio Torres (em tradução francesa). Achei a interpretação do mito ofertada pelo Mussa simplesmente genial, uma forma de aliar erudição histórica e imaginação literária. Na continuação de autores como Gonçalves Dias, que criou um “Dicionário da língua tupi, chamada língua geral dos indígenas do Brasil”, ou do “Manifesto antropófago” do modernista Oswald de Andrade, ou até o Guimarães Rosa em “Meu Tio Iauretê”, valorizando o pensamento índígena brasileiro não mais como uma representação exótica, de fora, mas numa tentativa de inventar uma nova poética segundo a qual os indígenas são considerados como integralmente brasileiros, de dentro, e não apenas como “os outros”, esquecidos, desprezados ou exterminados. Me parece que Mussa é um autor que tem um espírito de antropólogo, trazendo, como todo grande escritor, uma visão nova do mundo e do ser humano. Sua teoria no livro pode ser considerada uma teoria do decolonial no Brasil, uma das mais originais da América do Sul.

VB&M: No século XVI, o frade André Thevet capturou e traduziu para o francês fragmentos narrativos orais de uma cosmogonia tupinambá dos indígenas Tamoio, da Baía de Guanabara. Alberto Mussa descobriu e pegou esse texto do frade, comparou-o com outras fontes nesses idiomas e em vários outros, complementou-o, fechou a história e, então, passou tudo para o português. Você pega o texto em português brasileiro do Beto e passa-o de volta para o francês. Acho que não há um caso literário que celebre mais a atividade do tradutor do que esse, ainda mais porque Alberto Mussa agora está escrevendo o texto todo em tupi. Como você vê e analisa esse processo de tantas camadas de tradução de uma história original do universo segundo indígenas brasileiros? O que revela sobre o conceito de autoria?

EA: O processo de escrita é plural, híbrido, composto, passa por diversas camadas de textos, junta vários fragmentos de memória, leituras e experiências. A escrita possui esse mecanismo inerente à criação — nada se cria, tudo se transforma. Toda escrita é jogo de composição, pluralidade, apagamento, como demonstram os estudos sobre a genética literária e a intertextualidade. A tradução funciona de maneira similar, como um palimpsesto. Precisa dessas diferentes versões, sem necessariamente existir uma hierarquia, ou uma autoridade maior entre elas. Homero foi considerado por Borges um escritor cuja obra original, paradoxalmente, havia desaparecido. No caso das mitologias, a reinvenção é mais óbvia ainda, por se tratarem de histórias da oralidade, onde a escrita apenas fixa histórias colhidas em diferentes épocas e lugares do mundo. MEU DESTINO É SER ONÇA tem por natureza uma instabilidade primordial. Trata-se supostamente de um texto que tem por origem a oralidade, antes de ser reconstituído por Mussa.

A restauração mitológica valoriza o motivo metafísico deste ritual, visto com horror pelos europeus, porém essencial na sociedade indígena. O livro oferece também uma visão sobre o canibalismo como única atitude cultural capaz de transformar o mal, inevitável e inerente à natureza, em bem. Essa transformação se torna indispensável e faz parte de um sistema complexo de vingança, no objetivo de manter a sociedade viva. A presença dos manuscritos históricos de diferentes línguas europeias (francês, português, alemão, inglês) multiplica as possibilidades de tradução e reforça o poder da criação literária. O mito também faz eco à reflexão dos modernistas Oswald de Andrade e Haroldo de Campos sobre a tradução, pois eles que concebem os atos de escrever e traduzir como uma metáfora da devoração. “Meu jeito de amá-los é traduzi-los.”

VB&M: As Éditions Passage(s) projetavam inicialmente lançar MON DESTIN EST D’ÊTRE JAGUAR na coleção de Etnologia. Você defendia que o livro saísse na coleção literária, Escales, como afinal aconteceu. Quais argumentos você utilizou? Talvez a maior indagação seja de ordem classificatória: trata-se de um ensaio, de uma narrativa ficcional ou, como pensam muitos, é um livro inclassificável?

EA: Do que mais gostei no mito, como leitora de literatura – é lógico –, foi sua narrativa. Mas a maior originalidade do livro reside na teoria construída sobre o mito e os confrontos com suas fontes históricas. Eu pensei que seria mais interessante abrir o livro para um público de literatura mais amplo, em vez de encerrá-lo para um conjunto de especialistas, antropólogos e etnólogos. Na minha opinião, o relato do mito bastava em si. Decidimos então propor uma edição híbrida, já que entraria na categoria de um ensaio mitológico, com os prefácios, o mito, a teoria, o glossário, e as ilustrações da época, impressos no papel, e as fontes históricas e cotejo textual, para consulta em plataforma eletrônica.

VB&M: Qual a maior dificuldade que você enfrentou no processo de tradução?

EA: Como MEU DESTINO É SER ONÇA é um livro labiríntico, com várias maneiras de o leitor entrar na leitura, a maior dificuldade talvez tenha sido procurar a unidade nessa pluralidade, criando um repertório no meu idioma a partir dos conceitos e dos personagens citados a partir de diversos autores. Como vocês sabem, a tradução não é uma operação tão pacífica e serena. Não é apenas o entendimento do outro com a sagrada hospitalidade. Sugere às vezes uma forma de anexação, de assimilação, de apropriação, ou seja, de antropofagia. Quando o tema central é a própria antropofagia, considero uma vitória para o perspectivismo ameríndio ser “devorado”, assimilado e digerido no exterior!

VB&M: A literatura de língua portuguesa em geral não é conhecida pelos franceses. Outro dia, apresentando a uma editora parisiense um romance brasileiro (ainda inédito) que gira em torno de Eça de Queiroz, ouvi que o livro seria impossível na França porque lá ninguém saberia quem é o protagonista. Você vê alguma possibilidade de um dia isso mudar?

EA: Quando trabalhei em editoras e livrarias francesas e nas experiências de trabalho em instituições culturais entre França e Brasil, observei que o público de leitores de literatura brasileira é bastante restrito. É um círculo de pessoas sensíveis ao Brasil, ou a Portugal e países ditos lusófonos. Entre o grande público, o leitor se limita muitas vezes a conhecer Jorge Amado e alguns nomes contemporâneos de destaque aqui e acolá. Me parece que a literatura brasileira ainda não foi consagrada na França. É uma questão complexa e delicada que tem explicações na história das trocas culturais entre Brasil e França. As tendências históricas de traduzir e representar a literatura brasileira como “o mesmo”, através da latinidade, ou pelo contrário, pensar o outro como uma fantasia, preferindo uma literatura com traços “regionalistas”, arcaicos e mais “exotizantes”, na representação do outro. Como diz Pierre Rivas, “no imaginário francês, o Brasil aparece como arrependimento (colonial) e desejo (fantasia) de uma incompletude francesa”. Eu acredito que há possibilidade de a literatura brasileira ser mais conhecida nas próximas décadas, difundida graças à dedicação e ao trabalho dos tradutores, agentes e também dos críticos literários. Acho que há necessidade de publicar mais ensaios em francês sobre crítica e história da literatura brasileira para ela ser (re)conhecida na França.

VB&M: Que recepção você espera para MON DESTIN EST D’ÊTRE JAGUAR?

EA: Espero que o livro possa estar nas mãos de leitores que não conhecem necessariamente o Brasil, nem a literatura brasileira, para permitir que essa pérola da mitologia ameríndia possa fascinar um novo público. Minha esperança é ampliar o leque de leitores já sensíveis à questão tão necessária, essencialmente brasileira, que é a antropofagia ameríndia.

O fato de dar acesso às fontes históricas de Hans Staden, Thevet, Anchieta, Cardim, dos séculos 16 e 17, entre outros, é um “brinde” para os que querem se aprofundar; os leitores podem conhecer trechos da história épica iminente ao cataclismo final, passando por guerras e pela prática do canibalismo. A tradução de MEU DESTINO É SER ONÇA permite difundir a riqueza do imaginário dos indígenas Tupinambá e Tamoio, e, além da mitologia, há implicações concretas nos modos de viver, possibilitando ao Ocidente conhecer outra forma de viver o mundo, sem a destruição do meio-ambiente, das espécies vivas e das línguas. O perspectivismo ameríndio tem consequências infinitamente menos destrutivas que nossa forma ocidental de viver no planeta Terra, hoje em dia.

VB&M: Tendo em vista, além de MON DESTIN EST D’ÊTRE JAGUAR, obras como “O índio brasileiro e a Revolução Francesa”, de Afonso Arinos de Melo Franco, como você avalia a relação cultural entre Brasil e França? O que as culturas originárias do Brasil têm a dizer aos franceses hoje?

EA: Em “Manifesto Antropófago” (1929), Oswald de Andrade escreveu: “Queremos a revolução caraíba maior que a revolução francesa. Sem nós, a Europa não teria sequer a pobre declaração dos direitos dos homens.” Existe na relação da França para o Brasil uma atração e fascinação inegável que data dos primeiros contatos dos europeus com os indígenas. O desejo de dominar a terra dos indígenas e de catequizá-los torna-se uma forma de antropofagia da cultura deles. Ou seja, foi a partir das ideias do índio que se construíram os ideais da revolução.

No ensaio de Afonso Arinos de Melo Franco, que data dos anos 1930, chama atenção a alternância das representações do ameríndio como o “bom selvagem”, muito comum na Europa dos séculos 16 e 18, em ensaios de filósofos como Montaigne, Rousseau, Diderot e Montesquieu, com a segunda alternativa necessidade de “civilizar” e evangelizar os indígenas. “No âmbito das três palavras mágicas ‘liberdade’, ‘igualdade’, ‘fraternidade’, três sonhos, três mentiras cuja existência nunca pôde ser provada e cuja aplicação nunca poderá ser conseguida”, para então afirmar “a trilogia básica das ideias da Revolução Francesa tem íntima ligação com a teoria da bondade natural do homem, sobre cuja laboração, por sua vez, influiu de forma decisiva a figura mitológica do índio brasileiro.” Os indígenas brasileiros, para os filósofos franceses, estavam vinculados a um modelo filosófico ideal, dentro de um eterno paraíso, vivendo um modelo de sociedade fantasiado pelo iluminismo. Eles pertenciam a uma época de ouro da humanidade, com ideal de justiça social e moral, por exemplo. Já nos séculos 19 e 20, as representações mudam. Eles precisam ser “civilizados”, existe uma renegação da sociedade. Em ambas as representações, os índios são objetos de análise, e não considerados como sujeitos, eles despertam nos ocidentais principalmente preocupações econômicas, religiosas e civilizatórias, e de catequização desses “selvagens”.

Me parece que hoje o imaginário ameríndio tem muito o que ensinar, principalmente porque estamos nos aproximando cada vez mais de problemas de fim do mundo. Os indígenas têm muito a ensinar sobre o que foi um fim do mundo indígena, com a chegada da colonização. A relação com o patrimônio natural do qual são guardiões corre o risco de se extinguir junto com a extinção de centenas de espécies animais e vegetais. Além da natureza que o homem ocidental pensa dominar, o índigena considera a natureza e o animal de forma igual, sem hierarquia. Apesar do grande conhecimento do mundo, os povos primordiais são torturados e exterminados. É necessário denunciar as injustiças para manter vivas suas culturas materiais e imateriais. É inegável que o patrimônio intelectual, filosófico, literário e musical, apresentado na cosmogonia, ensina aos franceses (e a qualquer cidadão ocidental) a sair de seu etnocentrismo, para conhecer uma nova forma de pensar e sentir o mundo.

VB&M: Quais foram, desde a infância e a juventude, as leituras que formaram a intelectual que você é?

EA: Difícil escolher as peças deste quebra-cabeça gigante. Na infância, os contos dos irmãos Grimm; Perrault; “As mil e umas noites”; a mitologia grega; “Voyages extraordinaires”, de Jules Verne; “Voyage de Gulliver”, de Jonathan Swift; “L’île au trésor”, de Stevenson; e “Mon bel oranger” (tradução de “Meu pé de laranja lima”), de José Mauro de Vasconcelos — de certa forma o primeiro contato com literatura brasileira! Na juventude, os poetas trovadores provençais, Rabelais, Rousseau, Balzac, Flaubert, Proust, os contos fantásticos de Théophile Gautier, Maupassant, “Le Grand Meaulnes”, de Alain-Fournier, Yourcenar, Duras… Da literatura americana, Hemingway, Kerouac, Steinbeck, os romances policiais de Agatha Christie, “Comment j’ai mangé mon père”, de Roy Lewis (outra história de antropofagia!). Da poesia e do teatro, Rimbaud, Baudelaire, Beckett, grande maioria do teatro de língua francesa, os escritores do Oulipo, Ponge, Senghor, Césaire, Rabearivelo, Tahar Ben Jelloun, Gao Xingjian, Andreï Makine… Da literatura russa, Gogol, Tchekov, Pushkin… Da América do Sul, Rubén Dário, Jorge Luís Borges, Cortázar. Hernando Felisberto, Carlos Fuentes, Juan Rulfo… Em seguida, acho que desenvolvi um gosto singular pela forma breve, especialmente pelo conto, mas também o teatro, o poema, a canção que para mim, mais que o romance, são fontes de prazer.

VB&M: Qual seu livro brasileiro favorito? Se não for possível nomear um, pode citar três ou quatro, mas não mais (quando se fala de muitos títulos, a indicação se perde, e nenhum é beneficiado com a atenção de quem lê a entrevista).

Difícil citar apenas um, vou citar alguns eternos universos de inspiração: “Várias histórias”, de Machado de Assis, “Histórias e sonhos”, de Lima Barreto, “Morte e vida Severina”, de João Cabral de Melo Neto, “Os cavalinhos de Platiplanto”, de José J. Veiga e “Mil versos, mil canções”, de Paulo César Pinheiro.