Imagem do autor Gustavo Paso. Centralizado está um homem branco sorrindo. Tem cabelos e bigodes grisalhos bem aparados, olhos castanhos e um óculos arredondado preto.

Gustavo Paso

Diretor de teatro e cinema, cenógrafo, dramaturgo, roteirista e diretor de arte, Gustavo Paso tem mais de três décadas de atuação no teatro brasileiro. Amplamente reconhecido na mídia cultural e no meio teatral como um dos mais notáveis e respeitados artistas da atualidade, ele fundou a Cia Teatro Epigenia há 25 anos, conduzindo sua trajetória de criação, pesquisa e formação sem interrupções.
Seus espetáculos figuram entre os melhores do ano no Rio e em São Paulo, tendo conquistado os principais prêmios do teatro no Brasil, incluindo Shell, APCA e Cenym. Caramujo e O Alienista somam dezenas de indicações e prêmios nas categorias mais relevantes.
CASA CARAMUJO
CASA CARAMUJO começou como espetáculo teatral. Virou fenômeno. Mais de 20 indicações aos prêmios mais importantes do teatro infantil brasileiro — CBTIJ, Zilka Salaberry e Botequim Cultural — nas diversas categorias, inclusive texto teatral. Venceu como Melhor Espetáculo de Formas Animadas e Melhor Ator nas três premiações. Lotou salas. Fez crianças gargalharem e adultos se emocionarem. Agora, em sua versão literária, CASA CARAMUJO amplia uma trajetória já reconhecida por público e crítica e, como leitura transversal, visa também à adoção escolar.
No Ocidente, não se é educado para lidar com perdas. A morte é um tema que se evita e disfarça. As crianças pagam o preço dessa omissão, chegando à vida adulta sem ferramentas para enfrentar o luto, a impermanência, o ciclo natural das coisas. CASA CARAMUJO enfrenta esse tema com humor, poesia e uma leveza que não é superficialidade. É literatura infantojuvenil que respeita a inteligência do leitor de oito a 14 anos e que tem algo raro a oferecer: uma conversa honesta sobre a morte que não assusta. Ao contrário, acolhe e faz rir.
Jonas é um menino que vive com a mãe numa vila à beira do Rio Perequê. Quando percebe que pode perdê-la para uma doença, corre para buscar ajuda — e, no caminho, se depara com a própria Morte. Com coragem e amor, consegue aprisioná-la numa casinha de caramujo e jogá-la no fundo do rio.
Sua mãe se recupera, mas algo muda na vila. Os ovos não quebram. Os legumes não saem da terra, os peixes não são mais pescados. A vila fica estranha: antes alegre e ponto de encontro de visitantes, agora acorda com o galo cantando desafinado, a galinha-d'angola resistindo às investidas do cozinheiro e um caramujo sem casa percorrendo as margens do rio, cantando músicas de dor de cotovelo.
A morte foi aprisionada e abolida da vida. Sem a morte, nada mais vive de verdade. Jonas precisa mergulhar no fundo mais profundo das águas e se encontrar com o seu próprio eu. Para isso, conta com a ajuda improvável do Caramujo para resgatar a Morte — e devolver o mundo ao seu ciclo natural.
CASA CARAMUJO tem raízes num conto que sobreviveu mil anos. Death in a Nut — "Morte em uma Noz" — é um conto da tradição oral cigana escocesa do século XI: a história de um menino que aprisiona a Morte para salvar a quem ama — e descobre que o mundo não sobrevive sem ela. Ao recuperar a estrutura de uma história ancestral e reinscrevê-la numa paisagem brasileira, CASA CARAMUJO transforma uma narrativa milenar numa reflexão contemporânea sobre amor, perda e permanência. Leitura transversal para jovens e adultos, CASA CARAMUJO se constrói como crossover fiction e é capaz de um diálogo multigeracional por suas camadas simbólicas, filosóficas e emocionais.

Status/Publicação: inédito.