Wagner Barreira

Wagner Gutierrez Barreira é jornalista, escritor e ex-professor do curso de Comunicação Social da PUC São Paulo, onde deu aulas de Técnicas de Reportagem e Teoria do Jornalismo. Trabalhou em alguns dos principais veículos de comunicação brasileiros, como a revista Veja, o jornal O Estado de S. Paulo, a TV Cultura e a editora Abril, onde foi o primeiro diretor editorial de mídias digitais.
Em 2018, publicou a biografia LAMPIÃO E MARIA BONITA, UMA HISTÓRIA DE AMOR E BALAS (Planeta). DEMERARA (Instante, 2020) é seu primeiro romance. Atualmente, vive em São Paulo e tem três filhos.
DEMERARA
O romance nasceu da busca sobre as origens do avô paterno do autor. Do Bernardo real se sabe que chegou ao Brasil no vapor Demerara – o mesmo navio que em 1918 trouxe a gripe espanhola para o país – e teria morrido no dia do batizado do único filho. A partir desse ponto de partida, a narrativa utiliza elementos historiográficos como pilares que sustentam a trama, escrita em primeira pessoa.

DEMERARA trata da pandemia da gripe espanhola, do fluxo de migrantes para a América, da adaptação à nova terra e da construção de uma nova forma de viver. Os cenários do livro são duas cidades pujantes, a espanhola Vigo e São Paulo, unidas pela rota incomum de um navio de passageiros inglês perseguido por submarinos alemães e que lida com os primeiros sinais da epidemia.
São Paulo estava em seu primeiro estágio de uma nova urbanização que crescia pelos trilhos de trens e bondes. Abrigava centenas de milhares de imigrantes vindos especialmente da Europa e do Oriente Médio atraídos pela riqueza do café.

Status/publicação: Publicado pela Instante (Brasil) em 2020 e pela Editorial Galaxia (Galícia) em 2021. [152 páginas]
LAMPIÃO E MARIA BONITA, UMA HISTÓRIA DE AMOR E BALAS
O casal de foras da lei Lampião e Maria Bonita é um ícone no nordeste do Brasil e ilumina a história do cangaço – grupos de bandidos nômades e uniformizados presentes na região na primeira metade do século 20. Lampião, chamado rei dos cangaceiros, está presente na obra de grandes autores como Graciliano Ramos e José Lins do Rego, inspirou peças teatrais e está presente em toda história do cinema do país — “O Cangaceiro” foi primeiro filme brasileiro premiado no exterior, e se valem do tema as obras de Glauber Rocha, Renato Aragão, a pornochanchada dos anos 1970 e a retomada do cinema brasileiro nos anos 1990. Até a moda se valeu da estética cangaceira, com a estilista Zuzu Angel. A figura histórica de Lampião aparece em documentos da Internacional Comunista dos anos 1930 como exemplo de ação pré-revolucionária — e assim ele foi retratado pelo historiador Eric Hobsbawm.
LAMPIÃO E MARIA BONITA, UMA HISTÓRIA DE AMOR E BALAS incorpora à história real toda a mitologia que se criou sobre o casal, ainda muito presente no Brasil, valendo-se do conceito do filósofo alemão Hans Magnus Ensenzberger de “ficção coletiva”. A fama de Lampião e Maria Bonita transcendeu a biografia física e os transformou em heróis populares, cujas façanhas seguem sendo transmitidas no sertão brasileiro em forma de literatura de cordel e história oral. Status/publicação: Publicado pela Planeta (Brasil) em 2018. [224 páginas]