DEUSA DE PEPPER

NARRATIVAS & DEPOIMENTOS traz hoje um brinde precioso para as milhares de leitoras e seguidoras de FML Pepper, que, sabe-se pelas mídias sociais da escritora, estão muito ansiosas por conhecer seu novo livro. A autora da série bestseller NÃO PARE! (Valentina) e do stand-alone TREZE (Galera Record) acaba de concluir o primeiro romance de sua nova trilogia, já lido e aprovado com paixão por algumas leitoras beta. VB&M oferece um pequeno trecho da narrativa, DEUSA DE SANGUE, título também da trilogia, uma trama ambientada num mundo pós-apocalíptico, Unyan, com elementos da civilização europeia medieval, onde os homens detêm o poder e a fertilidade é a única moeda de troca das mulheres. Após a morte da mãe e sua última súplica para que lute por sua vida e pelas mulheres de Unyan, Nailah sabe que será seu fim se não sangrar até os 18 anos. Disposta a não sucumbir aos próprios fantasmas, a lutar por justiça e dar voz às mulheres, a garota guerreira acredita que pode fazer a diferença. Dizer que VB&M oferece um tira-gosto não seria adequado. É mais um soma-gosto à imensa expectativa das admiradoras e admiradores do trabalho literário de Pepper.

*

“— Nailah…

— Mãe?!? — Meu náufrago coração era novamente cuspido para a boca e a encarei por trás de uma cortina de lágrimas contidas a todo custo.

Num esforço colossal, mamãe murmurou antes de desfalecer para sempre em meus braços:

— Lute.

E então, aconteceu.

Uma tempestade violenta desabou sobre nós, o dilúvio de lágrimas do mundo disfarçando as minhas e selando a inundação de uma era, o afogamento do meu coração, o ponto final.

Em meio às falas tensas e bradadas, o maldito capataz a arrancou abruptamente de mim e, jogando-a nos ombros, atravessou o muro intransponível, levando-a para a terra inalcançável. Encharcada da cabeça aos pés, assisti, destruída e asfixiada, o corpo desacordado de Juno ser carregado com urgência na mesma direção. Os uivos dos ventos se uniam ao pranto dos deuses e criavam uma ópera atordoante. Ganidos de bestas que vinham das vísceras do oceano faminto faziam as colossais muralhas de Khannan estremecer, mas o trepidar não era nada diante do terremoto que me destruía por dentro.

O cronômetro do fim fora acionado!

Tapei os ouvidos com força, não suportava ouvir mais nada, não suportava sentir mais nada. A vida saía de foco em seus instantes finais. Nem sequer precisava fechar os olhos. Havia trevas por todos os lados. A escuridão estendia suas garras e me puxava para si, para o fundo, para onde eu não deveria ir. Cambaleei, sem resistência, em meio ao espetáculo de horror que chegava ao seu epílogo e, de onde estava, amordaçada na plateia dos aniquilados, eu a vi desaparecendo para sempre, deixando nas minhas mãos trepidantes e no meu espírito arruinado a bomba em forma de comando que nortearia o resto dos meus dias e seria a sina da minha existência.

“Lute!”