MARIA ALTAMIRA E O LUXO DO LIVRO

O luxo editorial é o único que se justifica porque só exibe inteligência e generosidade. Todos os outros luxos são ostentação, um dos comportamentos mais tolos e cafonas, típico da espécie humana.

Graças à curadoria da escritora Andrea del Fuego (@andreadelfuego ), MARIA ALTAMIRA, de Maria José Silveira (@mariajosepeixotodasilveira ), conquistou o luxo de uma edição do clube TAG (@taglivros ), que chegou à agência ontem à noite, 4/2. Publicado para o mercado por Silvio Testa (@testa.silvio ), da Instante, o romance, a caminho do cânone e já merecedor de grande compra de programa de governo, expõe os crimes perpetrados contra a mata brasileira e os povos originários por meio de uma trama arrebatadora em torno de duas protagonistas, uma indígena peruana que, depois de um terremoto em 1970, deixa a terra natal, pára no Brasil e se casa com um Juruna; e Maria Altamira, sua filha, que cresce na cidade trágica que lhe dá o nome.

O folheto que acompanha as edições da TAG veio repleto de informações relevantes à fruição do romance, como entrevistas com a autora e a curadora; uma apresentação do principal cenário da obra, Altamira, maior município brasileiro em extensão, mas desconhecido de todo o público de ficção; uma página de perfis de algumas das figuras que defenderam a região amazônica e seus habitantes e que foram assassinadas, como o Dema em 2001, a Irmã Dorothy em 2005, o casal Zé Cláudio e Maria assim como João da Gaita em 2011, Bruno Pereira e Dom Philips em 2022, ao longo dos governos de Fernando Henrique, Lula, Dilma e Bolsonaro, sem contar Chico Mendes na época do Sarney, em 1988; e uma ótima lista de outros livros, filmes e podcasts sobre o assunto.

Até o mimo do mês foi caprichado para MARIA ALTAMIRA, quatro marcadores de página magnéticos dizendo “peguei no sono aqui”, “parei nessa página”, “leitura em progresso” e “pausa para respirar”.