O Domingo das Mães de LVB & Co foi na esplêndida cidade renascentista de Ferrara, a meia hora de trem de Bolonha. Foi um passeio de folga, não deveria figurar neste blog estritamente profissional, mas como houve motivação literária, estamos aqui.
Luciana VB e Anna Luiza são meio obcecadas pela Lucrécia Borgia de Dario Fo no magnífico A FILHA DO PAPA, único romance desse dramaturgo que, por si só, já justificaria seu prêmio Nobel, representado pela agência para o Grupo Mauri Spagnol e muito bem lançado no Brasil pela Autêntica em 2021. O livro que desvenda a verdadeira Lucrécia, longe da mulher devassa que a história patriarcal inventou, já deu direito a outro post da Anna, em frente ao Castel Sant’Angelo, anos atrás, mas a parte romana do livro é dominada pelos cruéis pai e irmão da heroína de Fo, papa Alexandre VI e seu filho, o déspota Cesar Borgia. Já Ferrara, onde passou a viver após seu casamento com Afonso D’Este, é puramente lucreciana, cenário dos momentos felizes de sua curta vida. Lucrécia morreu aos 39 anos.
A visita ao Castelo Estense, único da Europa ainda cercado por água, como se dava na Idade Média, tomou horas de deslumbre e aprendizado, com a apreciação das salas de lazer e do quarto de Lucrécia, da cozinha e dos calabouços claustrofóbicos, onde tantas pessoas da própria família D’Este ficaram presas e morreram. Mas Ferrara é toda um experimento urbano inigualável, e a visita à rotonda do prédio onde ainda funciona o mais importante teatro da cidade, à catedral e à pinacoteca superaram expectativas. Na ótima livraria da pinacoteca, especializada em artes, o livro originalmente alemão de Caroline Bernard, FRIDA KAHLO E AS CORES DA VIDA, título da tradução brasileira da Tordesilhas, representado pela agência para a Aufbau, figurava muito bem exposto em sua edição italiana. O almoço na Osteria Enoteca al Brindisi, cujo primeiro registro oficial data de 1453, ficará entre os mais memoráveis de uma temporada marcada não só pela literatura, mas também por excelentes experiências gastronômicas.




