STEGNER, UM FILME PARA O CLÁSSICO

Muito se fala do desconhecimento dos norte-americanos a respeito da literatura brasileira, mas também é abissal a ignorância da gente sobre a magnífica ficção produzida nos EUA no século 20. Por exemplo, quem conhece os romances de Wallace Stegner, falecido em 1993? Só mesmo especialistas em literatura americana ou quem passou pelo TTC (Teachers Training Course) do Ibeu. Um ou dois títulos de sua obra vastíssima foram mal e mal publicados pela Nova Fronteira na década de 90.
Muito bem-vinda, portanto, a notícia da adaptação de ALL THE LITTLE LIVE THINGS, de 1967, inédito por aqui, cuja filmagem começará dia 1º de junho, na França, uma produção de Fabrice Goldstein para a Karé Productions, sob a direção de Carine Tardieu. O livro é tremendo: sobre um agente literário, personagem recorrente de Stegner, que perdeu o filho e se retira para o interior com a mulher a fim de encontrar paz, projeto perturbado pela entrada em sua vida de um jovem meio hiponga que o alucina e de uma doce jovem grávida em processo de câncer terminal.
Uma história sobre como encarar a morte temperada com o conflito de gerações da década de 60 e uma reflexão ambiental que denuncia a hipocrisia de tantos no confronto com a natureza. Cru e perturbador, mas belíssimo. Vamos torcer pelo sucesso do filme: que abra a porteira brasileira para a obra de Stegner.