O RECURSO NATURAL DA IMPORTAÇÃO DE TUDO

A Frase Sublinhada desta semana sai direto da cozinha, opa, da biblioteca aqui de casa. Luciana Villas Boas está relendo “Os Maias”, de Eça de Queiroz, entre deslumbrada com o gênio do escritor e o pasmo diante de sua incrível atualidade. Ela deu de cara com um destaque que, há mais de 35 anos, fez na página 79 do Volume II de sua edição das “Obras Completas de Eça de Queiroz”. Uma gozação do Eça pela voz do memorável e impagável João da Ega que bate muito com as preocupações e queixas dela a respeito das macaquices brasileiras de tudo que vem de fora (hoje dos EUA) e da incapacidade do Brasil de fazer sua própria indústria. Agora, no caso da vacina contra a Covid-19, com as consequências que se veem. E seguem aqui os desdobramentos mentais do Ega a partir de um cenáculo que queria organizar:

“Enfim – exclamou o Ega – se não aparecerem mulheres, importam-se, que é em Portugal para tudo o recurso natural. Aqui importa-se tudo. Leis, ideias, filosofias, teorias, assuntos, estéticas, ciências, estilo, indústrias, modas, maneiras, pilhérias, tudo nos vem em caixotes pelo paquete. A civilização custa-nos caríssima com os direitos da Alfândega: e é em segunda mão, não foi feita para nós, fica-nos curta nas mangas…”