Vozes Relevante

Não há erro de português na legenda desse post. Trata-se da Vozes, editora católica, que do alto de seus 125 anos, completados em março, continua cada vez mais relevante. Desde Petrópolis-RJ, a mais antiga editora em atividade contínua no Brasil, polo do catolicismo brasileiro, a Vozes segue sempre mais aberta às contribuições importantes dos mais variados campos filosóficos e políticos, como atestam dois livros que chegaram à LVB & Co a título de cotas dos agentes: BUDISMO SEM ENROLAÇÃO, de Noah Rasheta, original da Sourcebooks nos EUA; e GAZA: RELATOS DE UM TEMPO DE DESTRUIÇÃO, de Jean-Pierre Filiu, agenciado para a editora francesa Les Arènes.

O primeiro título é um texto claríssimo sobre o básico da filosofia budista. Injeção na veia para mentes abaladas com o mundo e necessitadas de um rumo ético-existencial na vida, sem qualquer impostura, afinal é uma editora católica quem o diz. O segundo, traduzido do francês UN HISTORIEN À GAZA, é a mais literária e bela narrativa sobre a indizível tragédia palestina sob a fúria assassina de Israel. Narrado por um professor de História do Oriente Médio na Sciences Po, com décadas de experiência na Palestina e com a vivência em Gaza entre 19 de dezembro de 2024 e 21 de janeiro de 2025, o livro tem trechos assim: “Nada me preparou para o que vi e vivi em Gaza./ Absolutamente, nada. Nada./ Nada, nem minhas estadas regulares na década de 1980 no enclave palestino, nem meus estudos, nem minhas pesquisas, nem minhas investigações, nem minhas relações, nem minhas amizades, nem minhas fidelidades, tecidas ao longo dos anos./ Nada, nem sequer as criações dos artistas de Gaza, que me inspiraram tanto, seus filmes, seus poemas, suas obras ou seu manifesto contra o ‘pesadelo no pesadelo’ da dominação islâmica sob ocupação israelense./ Nada, e, sobretudo, as lembranças, carregadas e intensas dessa Gaza diante da Catástrofe atual, hoje, fantasiada como um paraíso perdido, mas já mutilada pela guerra, uma ou outra das 15 guerras infligidas por Israel a esse território desde a Nakba, a ‘Catástrofe’ palestina de 1948.”