LVB & Co está de luto pela morte da grande quadrinista e artista Marjane Satrapi, autora de PERSÉPOLIS e organizadora da coletânea de artistas iranianos MULHER VIDA LIBERDADE, aos 56 anos. Foi ela quem, em 2003, com a criação de PERSÉPOLIS, revelou às novas gerações o drama do Irã sob o regime opressivo dos aiatolás.
Quem a revelou ao leitor brasileiro foi o editor Paulo Werneck na Companhia das Letras (hoje na revista 451), publicando PERSÉPOLIS em 2004. Depois, em 2007, veio o filme PERSÉPOLIS, dirigido pela própria Satrapi com Vicent Paronnaud, e o editor André Conti, ainda na Companhia (hoje na Todavia), reuniu os quatro volumes da obra em um único livro, só então um estrondoso sucesso no Brasil. MULHER VIDA LIBERDADE também saiu pela Quadrinhos na Cia, mas pelas mãos de Emilio Fraia, que o contratou pela mediação da agência com a idealizadora francesa da coletânea, L’Iconoclaste.
Família e amigos dizem que Satrapi morreu de tristeza pelo falecimento do marido, o roteirista sueco Matthias Ripa, em abril do ano passado, depois de 31 anos de vida em comum. Impossível não pensar que também a perda definitiva do Irã deva ter contado para sua depressão.
Nascida no seio de uma engajada família de alta classe média, opositora ao regime do Xá Reza Pahlevi, que antecedeu os aiatolás, Satrapi foi morar em Paris em 1994, obtendo a cidadania francesa, mas sempre se declarou iraniana. Em Persépolis, pode-se aprender um pouco da história de seu tio-avô, Anoosh Satrapi, que fez feroz oposição ao xá, mas executado pelo regime dos aiatolás. Satrapi sempre soube, dolorosamente, que não serve derrubar um autocrata participando de movimento que também tenha laivos autoritários.




