Já se encontra nas livrarias, depois de décadas de ausência, uma nova e cuidada edição de A ESTRANHA MÁQUINA EXTRAVIADA, de José J. Veiga, um dos grandes clássicos do conto na literatura brasileira, pela Companhia das Letras. Edição assinada por Alice Sant’Anna, com uma capa bonita, o texto bem revisado e disposto em fonte agradável, tudo enriquecido por aparatos elucidativos como a cronologia da vida do autor e um posfácio da brilhante escritora Fabiane Guimarães, goiana como Veiga, o ensaio intitulado “O encanto dos enigmas”. Em 2021, a Companhia agrupou todas as histórias curtas do Veiga em CONTOS REUNIDOS, um volume precioso, completo, mas de pesado manuseio, 528 páginas. Nada como ter A MÁQUINA EXTRAVIADA num livrinho tal como o concebeu José J. Veiga para lançamento em 1968 pela editora Prelo. Os exemplares da agência chegaram, a gente pega para apreciar a beleza, lê uma história mais curtinha, não resiste e continua a incursão pelos insólitos mundos desse autor: se a equipe da agência não gritar, a tarde de trabalho vai embora.
Ninguém se surpreenda com a publicação de A ESTRANHA MÁQUINA EXTRAVIADA pela Companhia neste ominoso ano de 2026. Veiga é um autor de e sobre tempos distópicos e estranhas realidades que às vezes encantam, sempre perturbam. Na agência, se sente claramente uma onda Veiga batendo na praia. Não há ainda autorização para divulgar informações, mas tem-se um filme baseado em um de seus contos a caminho. Vão sair novas edições em inglês de sua obra por uma prestigiosa editora britânica, que está organizando seleta própria dos contos e vai relançar o romance A HORA DOS RUMINANTES, que já teve edição nos EUA pela Knopf na década de 60, com nova tradução. Sem falar no interesse crescente de vários cineastas na adaptação de outras histórias do Veiga. Ninguém comunica como ele a perplexidade diante de um mundo opressor. Que histórias José J. Veiga escreveria nos dias de hoje, sob a inspiração da IA na vida das pessoas e dos EUA sob o disruptivo e surreal governo Trump?




