Narrativas de Favignana

O épico de Homero não é o único livro beneficiado com renovado interesse pela superprodução A ODISSEIA, em cartaz nos cinemas. Em escala evidentemente muito menor, outro belo livro, representado por LVB & Co para a PNLA, passou a ser bastante falado por causa do filme de Christopher Nolan. É MALANIMA, romance de estreia da italiana Rosita Manuguerra.

Para recriar a Ítaca de Odisseu, Nolan optou pela pitoresca ilha de Favignana, na costa oeste da Sicília, que tem dado o que falar; veja-se o artigo da GQ, disponível através do link. É que a paisagem de Favignana é deslumbrante, rouba o filme. O que isso tem a ver com MALANIMA é o romance também se passar em Favignana, terra de Manuguerra. A diferença é que no livro, de 2025 pela Feltrinelli, e vendido para tradução em oito territórios, a ilha não é só cenário, mas protagonista, parte ativa na trama. O filme incute imensa curiosidade sobre a ilha e, para se aprofundar em sua história e cultura, a melhor indicação é a leitura da obra.

Um aspecto marcante da ilha, retratado no romance, é o constante fluxo de gente. É vívido o contraste entre os turistas que povoam Favignana de junho a setembro, os trabalhadores que pegam a barca para trabalhar nas cidades grandes mais próximas e os que tiram da pesca e da agricultura o sustento para o ano todo. Manuguerra conta essa história pelos olhares de Mia, jovem de Favignana, e Marina, menina recém-chegada da cidade, mas que esconde profunda conexão familiar com o lugar.

Nos 75 dias deste ano em que LVB & Co ficou baseada na Itália, rolou muita conversa com o agente e amigo Emanuele Malpezzi, da PNLA, sobre Favignana, obcecado que ele é pelo lugar e por MALANIMA. Depois da leitura do romance e dos papos sobre a ilha, em meados de maio, antes de começar a temporada turística, Miguel não teve dúvida: foi de férias para esse mágico lugar. Fez umas fotos lindas que seguem acima.